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Investigations

  Capítulo 2: Investiga??es

  O por?o cheirava a oz?nio, café velho e o odor metálico de circuitos superaquecidos. Era um túmulo de informa??es, um mausoléu digital iluminado apenas pelo zumbido doentio e rítmico de uma lampada fluorescente piscante no teto, projetando sombras longas e nervosas contra as paredes de concreto úmido.

  Do lado de fora, Eldvorn lutava para manter sua fachada de perfei??o. As equipes de limpeza municipais já haviam removido os maiores destro?os, e os outdoors de neon voltaram a anunciar perfumes e carros voadores, fingindo que a devasta??o da noite anterior fora apenas um pesadelo coletivo ou uma falha estrutural isolada. Mas dentro daquele por?o, a verdade estava pregada nas paredes, exposta em sua forma mais crua.

  Mapas da cidade estavam espalhados sobre uma mesa central de carvalho descascado, como pele esfolada sendo dissecada. Linhas vermelhas irregulares conectavam pontos de eventos sísmicos inexplicáveis, picos de energia que haviam paralisado a rede elétrica e avistamentos de "fen?menos aéreos". Em um quadro-negro improvisado, fotos granuladas tiradas por Medellín com lentes de longo alcance estavam presas com tachinhas. Eram silhuetas sombrias de Charles O'Brien — borr?es negros que pareciam mais falhas digitais em imagens de seguran?a do que um ser humano de carne e osso.

  Os cinco — Kairo, Mark, Saínt, Medellín e Níla — estavam reunidos em volta do monitor principal de Mark. A luz azul da tela refletia em seus rostos pálidos, dando-lhes a aparência de fantasmas em uma sess?o espírita tecnológica.

  "Ninguém sabe quem ele é", disse Mark, com a voz rouca de exaust?o. Seus dedos deslizavam pelo teclado mecanico com um clique metálico frenético e rítmico. "Eu invadi os servidores da delegacia local e até os bancos de dados regionais do FBI. Oficialmente, n?o existe nenhum 'Charles O'Brien'. Sem certid?o de nascimento válida, sem número de seguro social, sem rastros digitais após o desastre. é como se ele tivesse deixado de existir no exato momento em que o mundo quase acabou."

  "Mas ele respira. Ele sangra. Eu vi os ferimentos dele", rebateu Medellín, com os dedos tra?ando obsessivamente a borda metálica da camera, como se buscasse conforto no objeto. "Eu o vi de perto, Mark. Ele n?o estava lutando contra aquela coisa por esporte; ele estava entre um ?nibus lotado e um monstro que poderia tê-lo pulverizado com um pensamento. Ele é o único motivo pelo qual ainda n?o viramos cinzas."

  Níla inclinou-se para mais perto do monitor, com os olhos fixos em uma das fotos borradas. Em uma delas, os olhos de Charles haviam captado o brilho de um poste de luz. N?o eram apenas nítidos ou alertas; pareciam antigos, carregados de um peso existencial que nenhum homem de vinte e poucos anos deveria carregar.

  "Ent?o por que a cidade o trata como uma praga?", perguntou Níla, com a frustra??o transbordando. "A polícia parecia pronta para fugir assim que ele apareceu. Os noticiários o chamam de 'vigilante terrorista' e 'anomalia pública'. Por que odiar a pessoa que nos salvou?"

  Saínt, que estava encostado na parede de concreto fria em absoluto silêncio, finalmente se moveu. Sua voz era baixa, mas carregava uma gravidade que silenciou o tec-tec do teclado de Mark.

  "O medo é o anestésico mais poderoso que existe, Níla. é muito mais fácil para o cidad?o comum odiar um monstro que ele pode ver — alguém com rosto e máscara — do que admitir que existem abismos muito piores escondidos na escurid?o, coisas que a ciência n?o consegue explicar. Eles o odeiam porque ele é um lembrete constante de que s?o indefesos."

  Ele se afastou da parede, os olhos brilhando com uma determina??o gélida.

  "Mas nós n?o somos como eles. N?o vamos ficar aqui especulando enquanto a cidade apodrece por dentro. Se ele é a chave, precisamos girá-la. Vamos encontrá-lo."

  Naquele instante, a atmosfera no por?o mudou. A decis?o n?o era mais uma escolha adolescente movida pela adrenalina; era um pacto. Eles n?o eram mais apenas garotos com uma van e uma camera; eram os arquitetos de uma guerra secreta que a humanidade ainda nem sabia que estava travando.

  As Cicatrizes da Montanha

  O vento gélido na montanha n?o apenas soprava; ele penetrava na pele com a precis?o de uma lamina de gelo.

  Níla e Saínt haviam retornado ao local onde tudo mudou: a "Abóbada de Pedra Reluzente". O ar ali era rarefeito e saturado com o aroma persistente de oz?nio e terra revirada. A paisagem era um testemunho de pura violência. Pinheiros centenários jaziam despeda?ados como palitos de dente, e imensos rochedos haviam sido reduzidos a um fino pó violeta que brilhava fracamente sob o luar.

  "Sinto que o tempo parou aqui", sussurrou Saínt, sua respira??o formando uma névoa densa e branca. "Isso n?o foi um deslizamento de terra ou uma anomalia geológica. Foi um despertar. Algo que estava esperando o momento certo para destruir o mundo."

  Níla ajoelhou-se na terra fria. Seus dedos ro?aram um resíduo brilhante incrustado no solo — manchas violetas que pareciam pulsar com energia residual.

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  "Se aquele monstro conhecia Charles... se gritava o nome dele como um inimigo jurado de mil anos atrás... ent?o Charles n?o é apenas um herói por acaso. Ele é a pe?a central de tudo o que está enterrado sob esta rocha."

  Enquanto vasculhava os destro?os, algo diferente chamou a aten??o com o reflexo de sua lanterna. N?o era o brilho violeta do monstro, mas um rastro azul profundo e elétrico. Eram resquícios de energia cinética — as "pegadas" tecnológicas da armadura de Charles. O rastro n?o descia até a cidade; subia, serpenteando em dire??o aos picos mais isolados e inacessíveis do Monte Blackwood.

  A Descida de Mark

  Enquanto Níla e Saínt procuravam pistas físicas, Mark estava mergulhando em um tipo diferente de abismo: o oceano de dados corrompidos na Deep Web.

  No esconderijo, várias telas se acumulavam, exibindo fóruns criptografados, arquivos militares deletados e blogs de teóricos da conspira??o que haviam desaparecido da internet anos atrás. Mark estava em estado de transe hiperfocado, seus olhos avermelhados refletindo o código que se desenrolava em cascata.

  "Charles O'Brien... quem é você de verdade?", murmurou ele para o monitor.

  Ele se deparou com um bloqueio de nível governamental, um firewall de "nível militar". Mas Mark n?o era um hacker comum; era um jovem cujo intelecto fora forjado pela necessidade de compreender um mundo sem sentido. Ele executou um script de for?a bruta, explorando uma falha de seguran?a em um servidor desativado de arquivo de jornalismo local.

  A tela piscou em vermelho e finalmente abriu um artigo deletado de 2017. A manchete fez o sangue de Mark gelar:

  O VIGILANTE DE ELDVORN: SALVADOR OU CHALéU?

  O texto mencionava o "Projeto O'Brien" — uma iniciativa secreta de pesquisa financiada pelo setor de defesa para estudar energia cinética de alta frequência. O projeto havia sido oficialmente encerrado após uma "falha catastrófica em laboratório" que resultou em múltiplas mortes. O artigo falava de um menino, um prodígio, que era o núcleo vivo dos experimentos.

  "Ele n?o era um herói voluntário", sussurrou Mark, com a voz trêmula enquanto lia nas entrelinhas de um relatório médico vazado. "Ele era o sujeito do teste. Ele era o experimento que deu certo e errado ao mesmo tempo."

  O Predador no Distrito Cinzento

  Kairo e Medellín caminhavam pelos becos escuros do "Distrito Cinzento". Essa era a parte de Eldvorn que os turistas nunca viam — uma infraestrutura esquelética de canos enferrujados, vapor sibilante e sombras que pareciam se mover sozinhas.

  "Esta cidade tem mais segredos do que pessoas", comentou Kairo, com os olhos percorrendo os telhados em busca de qualquer sinal da sombra negra.

  Medellín tentou rir, mas o som saiu for?ado, quase como um engasgo.

  "Você sempre fica filosófico quando está apavorado, Kairo. é quase charmoso, de um jeito estranho."

  "Está funcionando?", perguntou ele, esbo?ando um sorriso rápido e nervoso.

  Por um breve instante, ela retribuiu o sorriso — uma pequena trégua na tens?o sufocante. Mas a alegria morreu no instante em que um som ecoou da floresta que margeava o distrito. N?o era o vento. Era uma vibra??o gutural, um rosnado de baixa frequência que fazia com que as po?as de óleo a seus pés criassem círculos concêntricos de interferência.

  Algo grande se movia na escurid?o. Algo que n?o respirava oxigênio.

  "Corra", sibilou Kairo, agarrando a m?o de Medellín.

  Eles n?o olharam para trás. Sabiam por instinto primitivo que o que quer que estivesse à espreita naquela sombra n?o era Charles, e certamente n?o era humano.

  A Mans?o no Penhasco

  A residência de Charles O'Brien n?o era uma casa; era uma fortaleza de silêncio absoluto, empoleirada como uma ave de rapina no penhasco mais alto do Monte Blackwood.

  Lá dentro, a sala de estar estava mergulhada em densas sombras, cortadas apenas pelo brilho azulado de dezenas de monitores. Cada tela exibia um canal de notícias diferente, mas todos repetiam a mesma narrativa: "Charles O'Brien interferiu na a??o policial... a cidade está cansada da 'Amea?a Mascarada'... o custo dos danos é incalculável..."

  Charles estava sentado em uma poltrona de couro de encosto alto, observando sua própria destrui??o pública em um silêncio mais ensurdecedor do que o som das explos?es. Seu rosto era uma máscara de estoicismo e exaust?o, o maxilar contraído em uma linha de dor contida.

  Ao se levantar para pegar um copo d'água, o movimento revelou a extens?o de seu sacrifício. Seu bra?o direito n?o era mais apenas carne e osso. Um pesado conduto metálico, feito de uma liga desconhecida, estava fundido diretamente à sua pele, do ombro ao pulso. O dispositivo pulsava com uma luz azul rítmica, como se tivesse seu próprio batimento cardíaco. Era meio máquina, meio organico — um fragmento do passado que se recusava a deixá-lo ir.

  Ele tocou no aparelho e um chiado de vapor frio escapou das pequenas válvulas de alívio. A dor era visível em seus olhos, mas ele a aceitou como uma velha amiga.

  Do lado de fora, a mans?o parecia um castelo gótico moderno. A névoa serpenteava em torno das paredes de pedra bruta, e um único corvo cruzava o céu sob a lua de sangue.

  De repente, os olhos de Charles se estreitaram. Ele n?o precisava de sensores ou monitores de seguran?a para saber. Ele sentiu a mudan?a na press?o do ar. Sentiu a assinatura eletromagnética única de cinco jovens vidas se aproximando de seu domínio.

  "Curiosidade...", sussurrou Charles, com a voz rouca como folhas secas sendo esmagadas. "Em um mundo como este, a curiosidade é uma senten?a de morte."

  Ele caminhou em dire??o às pesadas portas de carvalho. A história n?o ia parar, e ele sabia que o silêncio de sua fortaleza estava prestes a ser quebrado para sempre. A dívida de Eldvorn-B batia à sua porta, e desta vez, ele n?o conseguiria enfrentá-la sozinho.

  Obrigado por ler até o final! Este capítulo apresenta pistas e desenvolvimentos importantes para o que está por vir.

  Adoraria saber sua opini?o, ent?o sinta-se à vontade para deixar um comentário ou compartilhar seu feedback. Isso realmente ajuda no desenvolvimento e na continuidade desta história.

  Obrigado pelo apoio e até o próximo capítulo!

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