home

search

17 |💫| Sombras e Escolhas

  ?──────??──────?

  Lucius caminhou em dire??o a Samuel, o olhar frio cravado nele. Sem hesitar, empurrou o ombro dele, testando limites. Sua express?o mudou no mesmo instante, tornando-se sombria, carregada de um aviso silencioso.

  — Eu vou ajudar — disse ele, a voz baixa, mas carregada de firmeza. — Mas n?o por ela. Eu n?o confio nela e nunca vou confiar.

  Seu olhar analisava Samuel em busca de qualquer rea??o, mas o herói manteve-se impassível.

  — Você n?o é o primeiro a vir até aqui — continuou Lucius, sua voz carregada de descren?a. — E com certeza n?o será o último.

  Ele se afastou um pouco, soltando um suspiro pesado antes de encarar Samuel novamente.

  — Você n?o sabe do que ela é capaz de fazer por si própria...

  Havia um peso em suas palavras, uma sombra de algo n?o dito. Lucius ergueu a m?o e fez um gesto discreto para Sylas, que logo come?ou a segui-lo sem hesitar. Ent?o, virou-se uma última vez para Samuel, seu tom agora carregado de impaciência.

  — E você? Vai ficar aí parado? — resmungou. — Venha logo...

  Samuel manteve seu olhar firme, inalterado pela atitude de Lucius. Sem responder, apenas seguiu os dois. Lucius caminhava à frente, lado a lado com Sylas, seu corpo tenso, a postura rígida. Era óbvio que desconfiava de cada gesto e movimento de Samuel, sempre lan?ando olhares de relance como se esperasse algo a qualquer momento.

  A atmosfera no corredor era densa, carregada de desconfian?a e inten??es ocultas. O cheiro metálico do laboratório impregnava o ar, enquanto o som ritmado de passos ecoava pelo espa?o frio, iluminado por luzes fracas e oscilantes.

  Samuel n?o dizia nada. Permanecia atento. Seu olhar percorria cada detalhe daquele lugar, buscando qualquer sinal. O silêncio entre eles era carregado de tens?o, uma troca de olhares implícita que dizia mais do que qualquer palavra.

  Sylas, caminhando ao lado de Lucius, desviou o olhar para ele, sua express?o carregando um significado silencioso, um pedido n?o dito.

  Lucius percebeu. Franziu a testa e respondeu em um tom baixo, desconfiado:

  — O que foi?

  Sylas ergueu ligeiramente a cabe?a, indicando Samuel com um movimento sutil. Lucius captou a mensagem e estreitou os olhos.

  — Eu n?o vou — murmurou, a voz carregada de irrita??o. — Ele quase matou você.

  Sylas permaneceu impassível, sua express?o tornando-se mais séria, mais determinada. Ele insistiu com o olhar, como se dissesse algo que Lucius n?o queria aceitar.

  Lucius suspirou, desviando o olhar por um momento antes de encarar Sylas novamente.

  — Ele é só mais um… embora esse aí tenha algo em “especial”.

  Havia um leve amargor em sua voz, um misto de receio e relutancia. Mas Sylas continuou insistindo, seu olhar fixo em Lucius, pressionando-o sem palavras.

  Lucius cerrou os punhos, incomodado.

  — O que deu em você, Sylas? — questionou em um sussurro áspero. — Por que parece se importar com ele?

  Os olhos de Sylas continham algo diferente. Algo profundo. Lucius n?o soube definir o que era, mas sentiu uma inquieta??o crescer dentro de si. Havia um significado naquele olhar que ele n?o compreendia completamente... e isso o incomodava ainda mais.

  Sylas, no entanto, n?o recuou. Em um gesto quase desafiador, empurrou com a cabe?a as pernas de Lucius.

  Lucius bufou, rolando os olhos.

  — Está bem, está bem... — resmungou. — Eu já disse que ia ajudar. Feliz agora?

  Agradecido, Sylas esfregou a cabe?a contra a perna dele, sua forma de expressar o que as palavras n?o podiam.

  Lucius soltou um suspiro cansado, passando a m?o na cabe?a de Sylas em um gesto resignado.

  — O que eu n?o fa?o por você, meu amigo...

  Seu tom de voz era baixo, quase um murmúrio. Apesar de sua resistência, no fundo, ele sabia que Sylas sempre via algo que ele n?o via.

  E, por mais que n?o quisesse admitir, isso o fazia hesitar.

  Eles chegam até uma área oculta do laboratório, um setor afastado que parecia ter sido esquecido pela maior parte dos que ali trabalhavam. O corredor que levava até lá era mais estreito, mas, diferentemente do restante do laboratório, n?o estava em completo abandono. As paredes ainda mantinham parte de sua estrutura original, sem tantos sinais de corros?o ou fios expostos. A ilumina??o era mais estável, embora algumas lampadas piscassem levemente, lan?ando sombras pelo ch?o metálico.

  Lucius parou diante de uma porta refor?ada e, sem virar completamente para Samuel, soltou em um tom seco:

  — Eu n?o quero ninguém mexendo nas minhas coisas. Muito menos um enviado como você. Entendeu bem?

  Samuel apenas assentiu com a cabe?a.

  — ótimo. — A resposta de Lucius veio carregada de desconfian?a.

  Ao atravessar a entrada, Samuel se deparou com um espa?o visivelmente mais organizado. Diferente do restante do laboratório, aquele lugar n?o estava completamente destruído ou negligenciado. Bancadas metálicas estavam alinhadas contra as paredes, repletas de ferramentas e dispositivos ainda funcionais. Monitores brilhavam fracamente, exibindo dados e registros de pesquisas antigas, e algumas telas piscavam, revelando códigos que corriam incessantemente.

  No canto, uma área mais reservada parecia ser onde Sylas descansava. Um espa?o acolchoado com cobertores gastos e algumas almofadas improvisadas indicava que Lucius se preocupava com o conforto do companheiro. Mais adiante, uma parede estava tomada por anota??es e esquemas, demonstrando que aquele n?o era apenas um refúgio, mas também um ponto estratégico.

  Sylas caminha lentamente até a cama, jogando-se sobre ela. O som das almofadas amassando parece ecoar pelo ambiente vazio e abafado.

  Lucius coloca suas coisas sobre uma bancada, suas m?os movendo-se de maneira mecanica, quase como se seu corpo agisse por conta própria. Ele sente os olhos de Samuel em sua dire??o, e, com um gesto brusco, ele para.

  — O que você está olhando? Perdeu alguma coisa? — Diz ele num tom sarcástico, tentando esconder o que realmente sente.

  Samuel n?o se move. Seu olhar permanece fixo, atento.

  — Que fique bem claro, eu n?o sou seu amigo, e muito menos seu aliado.

  Lucius ajeita seus óculos, virando de costas, evitando olhar para Samuel. Ele come?a a mexer em algumas ferramentas e utensílios espalhados sobre a mesa, mas há algo em seu movimento — um esfor?o para se manter ocupado, como se quisesse n?o pensar nas sombras que ainda o assombravam. Algo dentro dele o consumia, uma escurid?o familiar que parecia nunca ter fim.

  Samuel se escora na parede, seus olhos n?o saindo de Lucius. Ele podia sentir o peso da solid?o e da raiva que Lucius carregava, uma raiva amarga, enraizada em algo profundo.

  — Porque você vive aqui sozinho? — Samuel pergunta, a voz suave, mas carregada de uma curiosidade sincera.

  Lucius vira-se rapidamente para ele, sua express?o endurecendo. Ele parecia pronto para gritar, mas segurou as palavras.

  — E pra que você quer saber? Vai cuidar da tua vida. Isso n?o é da sua conta.

  Stolen content alert: this content belongs on Royal Road. Report any occurrences.

  — N?o acho que aqui seja um lugar adequado para um cientista renomado como você. — Samuel diz, mantendo o tom calmo, como se fosse um comentário simples, mas que tocava em algo sensível.

  Lucius se vira bruscamente, seus olhos faiscando com uma raiva reprimida.

  — Eu n?o sou um cientista e nunca serei. Se você veio aqui para me fazer perder o meu tempo... — Ele é interrompido por uma fotografia que surge nas m?os de Samuel. Era a mesma fotografia que ele havia encontrado mais cedo, aquela que revelava uma vers?o diferente de Lucius.

  — Onde você achou isso?! — Lucius grita, seus olhos se estreitando com um ódio visceral.

  Samuel segura a foto por um momento, observando-a com um olhar mais ponderado.

  — Eles estavam felizes ao seu lado. — Samuel diz com uma leveza que contrasta com o peso do momento.

  Lucius se aproxima, o olhar agora mais amea?ador, mas também carregado de uma dor imensa, que transparecia mesmo nos menores detalhes de seu rosto. Ele se aproxima de Samuel, seus punhos cerrados com for?a, como se cada palavra que ia sair de sua boca fosse um golpe que ele n?o podia evitar.

  — N?o se intrometa na minha vida. Você n?o sabe de nada! — Ele diz alto, a frustra??o e o sofrimento transbordando.

  O silêncio entre os dois se estende, como se Lucius tivesse usado tudo o que tinha para lan?ar aquela dor para fora. Mas ela n?o desaparece, ela fica no ar, pesada e sufocante.

  Samuel, ainda segurando a foto, observa Lucius por um momento. A raiva que emanava dele era quase palpável, mas Samuel via algo mais. Ele sabia que por trás daquela fachada havia alguém em guerra consigo mesmo.

  — Você n?o sabe o que eu passei. O quanto eu sofri... ainda sofro. — Lucius continua, a voz agora mais baixa, mas carregada de uma angústia profunda. Ele come?a a andar em círculos, suas palavras se entrela?ando com suas a??es, como se tentasse escapar de sua própria realidade.

  — Ela tirou isso de mim... o direito de acabar.

  Lucius riu sem humor.

  — N?o existe final feliz pra gente como eu.

  Ele pausa, os olhos brilhando com uma tristeza imensa, como se finalmente cedesse ao peso de sua própria existência.

  — Tudo isso... tudo isso é culpa dela. A ganancia dessa desgra?ada que você segue ordens. — Ele aperta os punhos com for?a, a raiva voltando, quase consumindo-o por completo. — Eu perdi tudo. E você... você quase matou a única coisa que eu me importo. A única coisa que eu ainda tenho... nesta merda de vida!

  Samuel n?o recua. Ele sabia que Lucius n?o era apenas raiva. Havia algo muito mais profundo ali.

  Ent?o, com um suspiro, Samuel finalmente fala, sua voz calma, mas carregada de uma sinceridade que atingiu o cora??o de Lucius.

  — Eu realmente n?o sei o que você passou. Mas eu sei que você n?o é um monstro. — Ele dá um passo à frente, sem hesitar. — Deve doer, viver assim... sem os que você ama. Sem os que você considerava uma família.

  Lucius fica em silêncio, seus olhos ainda fixos em Samuel, mas agora algo come?a a mudar dentro dele. Talvez fosse a gentileza de Samuel ou o simples fato de que alguém se importava o suficiente para ver além da fachada de raiva e dor.

  Samuel continua, sua voz mais suave, mas firme.

  — Você nunca pediu para viver, mas também nunca pediu para morrer. Tudo isso… toda essa dor, o medo… tudo o que você reprime dentro de si.

  Lucius aperta os punhos com mais for?a, mas agora há uma dúvida, uma hesita??o. Algo estava mudando, mesmo que ele n?o soubesse como ou por que.

  — Ninguém deveria passar pelo que você passou. Mas isso n?o significa que tudo tenha chegado ao fim para você. — A voz de Samuel era serena, carregada de uma confian?a inabalável, como se enxergasse em Lucius algo que nem ele mesmo via. — O medo apenas te acorrenta, te impede de seguir em frente. Mas você ainda tem escolha.

  Ele faz uma pausa, como se o peso de suas palavras se fizesse mais claro agora.

  — Podem ter tirado a sua decis?o de viver ou morrer, mas nunca v?o tirar a sua escolha de ser um herói.

  Lucius olha para ele, a raiva agora substituída por um olhar mais vazio, mais perdido. Ele come?a a dar passos em dire??o a Samuel, mas com raiva contida, seus olhos como uma tempestade prestes a estourar.

  — Da próxima vez que você se intrometer na minha vida... você já era!

  No entanto, antes que Samuel possa responder, o dispositivo em seu ouvido brilha, interrompendo o momento tenso. A voz da P.A ecoa, fria e autoritária.

  — Parem de discutir, agora!

  Lucius olha de forma severa para Samuel, seu olhar cortante como uma lamina afiada. A tens?o no ar é palpável, mas ele, relutante, come?a a caminhar de volta para sua mesa, seu corpo ainda tenso, como se cada movimento fosse calculado para n?o demonstrar mais do que o necessário.

  — Eu n?o vim até aqui para brigarmos, Lucius. Eu…

  A voz falha por um instante.

  — Eu preciso de você.

  Lucius para por um instante, sua postura rígida. O sarcasmo que sempre o acompanhava desaparece por um momento, mas logo ele dá um passo à frente, com uma express?o que mistura raiva e um tipo de dor silenciosa.

  — Você só se importa comigo quando precisa. Por isso, me manteve vivo... — Ele diz, as palavras saindo com uma amargura que quase poderia cortar o ar.

  As palavras de Lucius pairam no ambiente, pesando mais do que qualquer outra coisa que ele tenha dito até ali. P.A, fica em silêncio por um momento, como se suas fun??es internas precisassem processar a verdade n?o dita que havia sido exposta. Ela sabia que Lucius estava certo, e a realidade de que a rela??o deles era marcada pela necessidade mútua e n?o por um vínculo genuíno a incomodava de uma forma que ela n?o queria admitir.

  Lucius suspira pesadamente, o som como um reflexo da exaust?o que ele sentia n?o apenas no corpo, mas também na alma. Ele se vira novamente, agora olhando para Samuel com uma frieza ainda mais evidente.

  — Me diz logo o que você quer, para que vocês dois possam sumir logo daqui... — Ele diz com um tom de voz que n?o esconde sua impaciência. A dor e o sofrimento que ele tenta esconder continuam se transbordando em suas palavras, mas ele n?o sabe mais como lidar com isso. A sombra do que ele foi, do que ele perdeu, continua a se arrastar atrás dele.

  Samuel dá um passo à frente, n?o se deixando intimidar. Ele sabia que, por mais que Lucius tentasse empurrá-lo para longe, havia uma parte dele que, no fundo, ainda queria ajudar. Mas ele também sabia que, se quisesse chegar até aquele homem quebrado, precisava ser mais direto, mais sincero.

  — Eu sei que você n?o quer mais uma vida assim. Eu entendo que você esteja cansado. Mas n?o estou aqui só por causa dela. — Samuel fala, sua voz suave, mas firme, como uma ancora que tenta se firmar no turbilh?o emocional de Lucius. — Você n?o precisa carregar isso sozinho por tanto tempo.

  Lucius o encara por um momento, como se, naquele breve contato visual, as palavras de Samuel ecoassem. Por um instante, ele vê algo nos olhos de Samuel — uma for?a silenciosa, uma compreens?o que ele nunca achou que encontraria. Era o mesmo olhar que viu nos olhos de Sylas. Lucius desvia o olhar, se recusa a deixar qualquer fraqueza transparecer. Ele dá uma última olhada na mesa, seus dedos brincando distraidamente com uma ferramenta, antes de soltar um suspiro pesado, como se a exaust?o tomasse conta dele novamente.

  — Você... n?o entende. — As palavras saem com dificuldade, como se fossem feitas de pedras. — Mas... — Ele come?a, hesitante. As palavras falham, deixando o vazio das emo??es que ele guarda para trás de si mesmo. — Eu... sou quem sou por causa do que me fizeram. N?o posso simplesmente voltar atrás e agir como se fosse o mesmo Lucius de antes. Eu n?o sei mais quem sou... — Ele finalmente olha para Samuel, e pela primeira vez, o peso da confus?o e do vazio que o consome se torna visível em seus olhos. — Me diga... você realmente acha que alguém como eu ainda tem esperan?a?

  Samuel observa o homem à sua frente, o silêncio entre eles pesado e denso. Ele n?o responde de imediato, mas as palavras que saem s?o firmes e calmas, como se ele tivesse encontrado a verdade que precisava dizer.

  — Todos têm uma escolha. Mesmo que você n?o consiga ver agora, ainda há algo em você que vale a pena. Você n?o precisa ser o que os outros quiseram que você fosse. A sua vida... ainda é sua.

  As palavras de Samuel flutuam no ar, e por um instante, Lucius parece absorver o impacto delas. Seus olhos, geralmente cerrados e frios, revelam uma fraqueza que ele n?o quer mostrar. Ele fica em silêncio, sua mente tumultuada, como se aquelas palavras fossem um farol tentando guiar seu barco em mar revolto.

  P.A, ainda silenciosa, observa tudo do outro lado, sua presen?a invisível, mas cada vez mais importante. Ela sabia que este momento era mais do que uma simples miss?o. Era algo maior. Samuel n?o estava apenas tentando salvar Lucius fisicamente; ele estava tentando recuperar a esperan?a que ele acreditava ter perdido. Mas a P.A sabia que o futuro de Lucius n?o dependia apenas das palavras de Samuel, mas de sua capacidade de finalmente enfrentar o que ele havia sido for?ado a se tornar e o que ele ainda poderia ser.

  Lucius, pensativo, dá um suspiro breve, como se estivesse refletindo sobre as palavras que Samuel disse. Ele sente algo estranho crescer dentro de si, uma sensa??o que ele já havia experimentado, mas nunca realmente entendido.

  — Porque você se importa tanto comigo, hein? — ele pergunta, sua voz carregada de ceticismo, mas também de curiosidade, como se finalmente estivesse tentando entender o que movia Samuel.

  Samuel olha para ele, o olhar sincero e tranquilo, e ent?o responde, com um leve sorriso:

  — Porque eu sei quem você é.

  Aquelas palavras, simples mas profundas, atingem Lucius de forma inesperada. Ele sente um calor crescente dentro de si, um misto de alívio e confus?o. Algo em sua alma, algo que ele pensou ter sido apagado para sempre, come?a a se acender. Ele finalmente entende o que viu nos olhos de Samuel e Sylas — esperan?a. Aquela luz que ele pensava perdida está ali, diante dele, ainda acessível.

  — Você... você é estranho, sabia? — Lucius diz, a boca curvando-se levemente em um sorriso, apesar da resistência que ainda sente.

  Samuel dá um sorriso leve, como se entendesse a ironia por trás da observa??o, mas n?o se ofendesse.

  — Eu sei. — Ele responde de forma simples, mas com um olhar que transmite mais do que palavras.

  Lucius, embora ainda desconfiasse de Samuel, sente algo mudar dentro dele. Uma pequena brecha na parede que construiu ao longo de tanto tempo come?a a se abrir. Ele sente, pela primeira vez em muito tempo, que talvez — só talvez — ele n?o esteja mais sozinho nesse caminho. E o que mais o surpreende é que, no fundo, ele também come?a a acreditar que pode ser algo melhor.

  Ele finalmente se vira para Samuel, o tom mais suave agora, uma pequena vulnerabilidade emergindo.

  — Eu ainda n?o confio em nenhum de vocês.

  Ele encara Samuel.

  — Mas quero entender… que tipo de pessoa você é.

  Samuel olha para ele, reconhecendo o momento de mudan?a, e dá um pequeno aceno de cabe?a, sabendo que, embora o caminho de Lucius fosse difícil, ele finalmente come?ava a dar passos na dire??o certa.

  ?──────??──────?

Recommended Popular Novels